quinta-feira, 11 de julho de 2013

ANALFABETOS FUNCIONAIS

A liberdade, a prosperidade e o desenvolvimento da sociedade e dos indivíduos são valores humanos fundamentais e só podem ser alcançados quando todos os cidadãos estiverem informados para exercerem seus direitos democráticos e para desempenhar em um papel ativo na sociedade. (manifesto da UNESCO).

Dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) , do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontaram que o Brasil tem o grande desafio de combater o chamado analfabetismo funcional, que atinge 25% da população com mais de 15 anos, entre outras agravantes, constitui um problema silencioso e perverso que afeta o dia a dia nas empresas.
Neste universo não estamos incluindo pessoas que nunca foram à escola, mas sim aquelas que sabem ler, escrever e contar; chegam a ocupar cargos administrativos, porém não conseguem compreender a palavra escrita. Computadores provocam calafrios e manuais de procedimentos são ignorados; mesmo aqueles que ensinam uma nova tarefa ou a operar uma máquina. No entanto, este perfil de profissionais prefere ouvir explicações da boca de colegas.
Calcula-se que, no Brasil, os analfabetos funcionais somem 70% da população economicamente ativa. O resultado não é surpreendente, uma vez que apenas 20% da população brasileira possui escolaridade mínima obrigatória (ensino fundamental e ensino médio). Para 80% dos brasileiros, o ensino fundamental completo garante somente um nível básico de leitura e de escrita.
No mundo todo há entre 800 e 900 milhões de analfabetos funcionais, ou seja, uma camada de pessoas com menos de quatro anos de escolarização; mas pode-se encontrar também neste meio, pessoas com formação universitária e exercendo funções-chave em empresas e instituições, tanto privadas quanto públicas. Entre suas características, não têm as habilidades de leitura compreensiva, escrita e cálculos para fazer frente às necessidades de profissionalização e tampouco, da vida sociocultural às necessidades de profissionalização e tampouco, da vida sociocultural.
Muito se tem que fazer para reverter esse quadro, mas algumas iniciativas como a criação de bibliotecas comunitárias pelo país tem tido resultados significativos e atraído um público cada vez maior para o mundo da leitura.
Fonte: Portal UOL Educação

terça-feira, 2 de julho de 2013

PROVA FINAL NA FAEL

ATENÇÃO, COMEÇA HOJE A PROVA FINAL :


 Segue abaixo para o conhecimento de vocês, o Comunicado que foi encaminhado
 aos alunos explicando sobre as PROVAS SUBSTITUTIVAS / EXAME FINAL.

ALUNOS QUE AINDA NÃO REALIZARAM AS PROVAS

Você é aluno FAEL e não conseguiu realizar as provas das disciplinas do período de 

março e abril deste ano? A nossa instituição está disponibilizando uma prova substi-
tutiva para auxiliar o seu bom desempenho acadêmico.

Segue abaixo os passos para realização da prova:

· Acesse a sala de aula;

· Acesse a disciplina em que você atingiu a média e deseja fazer a prova substitutiva;

· Clique na aba avaliações;

· Clique no botão Exame Final e realize a prova (10 questões a serem respondidas em

 duas horas, sem necessidade de presença no polo).

Pedimos atenção para que você realize as provas substitutivas (identificadas no sistema

 como EXAME FINAL) de TODAS as disciplinas em que não alcançou a nota. Portanto, o 
botão EXAME FINAL é o que contém a prova substitutiva.

· O Exame Final deve ser realizado no período de 3 a 10 de julho de 2013.

Para verificar suas notas, basta entrar no sistema acadêmico (aluno online). O acesso

 estará disponível apenas aos estudantes que não realizaram todas as provas e/ou não
 alcançaram média de aprovação.

      segunda-feira, 17 de junho de 2013

      ACADÊMICOS SERVIÇO SOCIAL VISITA O COMLEXO DO ALEM...


      Artigo do blog: academicossni.blogspot.com.br
      ACADÊMICOS SERVIÇO SOCIAL VISITA O COMLEXO DO ALEMÃO


      ... MORRO DO ALEMÃO, QUE?...

      Essa foi a primeira resposta , quando a nossa profª do curso de bacharelado do Serviço Social nos propos a fazer uma incursão ao Complexo do Alemão e fazer nossa 1ª pesquisa de campo. Daí quando a profª Elaine Medeiros, nos colocou o contexto social em que se encontra o complexo atualmente, aí... baixamos a guarda. 



                                Chegando na estação de Bonsucesso

      O estande de atendimento da Visita Guiada ao Teleférico  do  Alemão  está localizado na estação Bonsucesso,  onde é  possível  fazer a integração com o sistema ferroviário

      Acadêmios que se denominam Grupo AcadêmicoSS
      Sonia Lage, Alice Verônica e Eliade Siqueira,da 
      graduação Serviço Social , Anhanguera NI.









      Todo o grupo da Facudade Anhanguera -Nova Iguaçú reunidos pra registrar a chegada Academicos do 1º e 3º periodo do Serviço Social, academicos de Pedagogia e profª Elaine Medeiros.e coordenadores. 
           
      Estação do Teleférico:

      Fomos recebido por jovens moradores da comunidade, Alessandro e Jésica Capacitados por uma parceria entre a ONG Bom Fruto, a SuperVia e a empresa Vamar Turismo & Viagens, os jovens receberam aulas de história do Rio de Janeiro.
                                                                                                                                                                                                                             

                                                   

                                              E COMEÇA A VIAGEM TELEFÉRICA.

        
      Uma vista emocionante de todo Complexo .
      AcadêmicoSS e Pedagogia rindo à toa.
                          

      Feliz  dentro da gôndola com a primeira
       impressão e comunidade ao fundo.
       Neste momento a preocupação com a altura e achuva que começa a cair. 
      AcadêmicoSS  Eliade, dentro da gôndola 
      passando pela estação da Baiana















      Morro da Baiana: Estação motriz de todo o sistema, localizada no bairro de Ramos.
















      Achegada na Estação de Palmeiras, muita chuva.
      Palmeiras:Estação de retorno do teleférico, localizada no bairro de Inhaúma. Oferece uma visão fascinante do Complexo do Alemão.


      O operador se Sistma do Teleférico que tam-bém atuam na recepção dos visitantes nos informa que recebem centenas de visitantes por dia e em alta temporada chegam a milhares/dia e o bastante interessante que nesse sistema opercional, toda mão de obra empregada são dos moradores da própria comunidade. 







      A jovem guia Jéssica nos passando sobre como nasceu o projeto Bom Fruto, e trabalho que faz em conjunto com outros quias contando a  história da comunidade. 
      O Complexo do Alemão, um conjunto de 13 favelas localizado na Zona Norte do Rio onde o moradores viviam sob o domínio dos traficantes. 
      Hoje depois da ocupação das UPPs  nas 5 favelas, tem sua primeira agência de turismo,  a  Bom Fruto Turismo.


      Nilcea Rocha, mais conhecida como Ceinha 
      escreveu um projeto para o governo e criou um curso para monitor-guia. "O curso dá a oportunidade do primeiro emprego aqui no morro e com o apoio dos eguipamentos do estado, criou a agência de turismo uma ONG atuante em todo e para todo Complexo.

       Entrada do espaço da Praça do Conhecimento
                                      ESPACO DA PRAÇA DO CONECIMENTO

         


      Na recepção do Espaço do Conhecimento, encontramos muitos adolescentes lendo ou aguardando o mmomento de interagir com os diversos equipamentoss eletrônicos que ficam à disposição de toda a comunidade, podemos observar que não encontramos crianças pelas ruelas e becos por onde passamos.


      Parte central onde há  multitividades
       A monitora nos mostra e relata os diversos equipamentos, colocados para o uso sem nenhum custo para os moradores da comnidades do Complexo do Alemão: Sala p/ todo tipo de eventos, sala para curso diversos.



      Laboratório
                                          


      Podemos observar também a mudança na arquiteura da comunidade, a implantação do serviço de energia elétrica, ruas limpas, calçadas ou cimentadas, o que facilita os pequenos comércios.








       
      Praça do Conhecimento com apresentação de shows com músicos locais, cinema comunitário, teatro e outros.





      Aqui depois da saga da incursão pelas ruelas do 
      Complexode volta à estação de Bonsucesso 
      Estávamos maravilhados e ao mesmo tempo
      já acabados de tanto caminhar
      .
                                     Os jovens Jésica e Alesandro  se despedindo de nós.

             
      Mas não acaba aqui, ainda tem mais, teremos a segunda parte desta que humildemente chamarei de; A Saga do Complexo do Alemão. Até. 

      Obs: fotografia: Eliade Siqueira, Texto: Sonia Lage

      domingo, 26 de maio de 2013

      WORKSHOP, TÁTICA PEDAGÓGICA.

      O polo da FAEL, em D.Caxias RJ, também realizou o quarto workshop da instituição, como o polo abordado na postagem da pág. do facebook da instituição, descrito abaixo.

      O encontro abordou o tema “árvore genealógica”, com o intuito de oferecer aos acadêmicos a oportunidade de conhecerem a importância de trabalhar com alunos da educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental, a história familiar, por meio de estudos acerca dos seus antepassados.
      Além disso, Miguel Castriani, professor do curso de pedagogia da FAEL, explica que os objetivos do encontro também foram:
      • Perceber a importância de trabalhar com a família dos alunos para ampliar o conhecimento dos mesmos sobre suas origens;
      • Compreender a necessidade de inserir o tema “família” nas escolas, para aproximar o aluno do professor;
      • Considerar as fortes influências políticas, econômicas, sociais e culturais que mudam a estrutura familiar;
      • Ampliar a ligação do presente com o passado.
      “Na sala de aula, as crianças são convidadas a pensarem e depois realizarem o que aprenderam na teoria. Nesta hora, muitas vezes elas não conseguem fazer o que é solicitado ou acabam concretizando tarefas de forma mecânica”, relata Miguel Castriani.
      Neste sentido, o professor esclarece a importância dos pedagogos ensinarem atividades motivacionais aos alunos, incentivando o aprendizado. É o caso da construção da árvore genealógica, que segue a proposta do estudioso Donald Schön, embasada no conceito da reflexão sob uma determinada ação.
      Castriani conta que o interesse no estudo da árvore genealógica está no aluno pesquisar, em uma série de fontes, sua própria história e comenta que esta investigação deve ser realizada, preferencialmente, na disciplina de história.
      “Temos histórias que dão para ser contadas pela quantidade de anos que temos, e também existem as que podem ser relatadas pelo histórico de nossa família. A árvore genealógica identifica as pessoas que fazem parte disso e as valoriza”, revela o professor.  {Parte da texto retirado do:https://www.facebook.com/FaculdadeFAEL}


      O tema também gerou debate polêmico como abordar o assunto da investigação parental na atualidade, mas ao constatar o que o professor Castriani colocou que os pedagogos precisavam considerar as fortes influências políticas, econômicas e as mudanças sociais e culturais que  vem ocorrendo na estrutura familiar. O acadêmicos entenderam que o tema é passível de se abordado e resultar em instrumento de aproximação de várias gerações.





      Exposição de trabalho das acadêmicas: Sonia Lage e Gisele Penha.

      sábado, 27 de abril de 2013

      ÁRVORE GENEALÓGICA - ORIGEM



         Na quinta feira passada na sala de aula da Fael  D.de Caxias/RJ, no Workshop Árvore Genealógica, levantou-se a polêmica sobre como abordar esse tema com os alunos das primeiras séries sem constrangir os alunos e famíliares.                                                          Já que por indicação do prof. deveríamos pedir cópias de documentos, RG e Certidões de nascimentos. Até aí tudo bem, mas de posse destes, crianças tomariam conhecimento de sua real origem, será que todos os familiares comcordariam?
      A turma acadêmica se arvorou e foram muitas colocações de preocupação, com as transformações que vem ocorrendo na família da sociedade  brasileira e que nem todos os pequeninos estam cientes destas mudanças.                                                                                  
      Como abordar essas situações em sala de aula?                        
                                                                                                           
      - Acriança que ñ tem pai/mãe e nem sabe quem é o pai/mãe.
      - A criança que já tem outro pai/mãe e na certidão consta outro nome.
      - A criança que tem 2 papais/mamães.e outras situações que possamos encontrar.
                 

      COMO ABORDAR O CONCEITO DE ORIGEM FAMILIAR NA ÁRVORE GENEALÓGICA DE UM ALUNO, SEM FERIR  O CONCEITO DE FAMÍLIA QUE O ALUNO ESTIVER VIVENCI ANDO?
                                                              
      Link para leitura sobre o assunto:

      http://academicossni.blogspot.com.br/2013/04/o-padrasto-dos-meus-filhos-e-os-filhos.html
      http://academicossni.blogspot.com.br/2013/04/novos-tempos-novas-familias-da.html



      domingo, 14 de abril de 2013

      Estamos Bem na Fita, Sotaque Carioca é o oficial.


      Leiam colegas acadêmicos de pedagogia o texto abaixo interressante sobre o sotaque carioca que encontrei no blog Diário do Rio de Janeiro.

      A SUPOSTA SUPREMACIA DA FALA CARIOCA: UMA QUESTÃO DE NORMA

      Angela Marina Bravin dos Santos (UFRJ)

      INTRODUÇÃO

      É lugar comum no meio acadêmico, quer entre historiadores quer entre gramáticos e lingüistas, a idéia de que a fala carioca se sobrepõe aos outros falares, o que lhe confere um suposto “status” de modelo a ser seguido. A influência do falar carioca já era sentida, segundo o historiador Alencastro (1997:34), bem antes do advento dos meios de comunicação:
      Bem longe do advento do rádio e muito antes ainda da televisão, os habitantes do Rio já influenciavam a fala dos habitantes das outras províncias.(ALENCASTRO, 1977:34).
      Ainda sob o olhar de historiadores, parece que tal “status” se confirmou em dois Congressos Nacionais: o de Língua Cantada, organizado em 1937 por Mário de Andrade e o de Língua Falada no Teatro, realizado em Salvador em 1956:
      Carvalho e Melo e Silva Lisboa afirmavam com intuição, uma verdade que veio a ser confirmada por dois Congressos Nacionais de Língua Cantada , de ser a do Rio de Janeiro a pronúncia padrão do Brasil.  (RODRIGUES, 1986:48)
      Sob a ótica de alguns estudiosos da língua, como  Révah, a história não era diferente: “ Para as referências à língua comum do Brasil, utilizaremos antes de tudo o falar do Rio de Janeiro” (RÉVAH, 1958:2).  Révah seguia, provavelmente, os caminhos abertos pelos congressistas de 1937 e 1956 que, por considerarem necessária uma pronúncia unificada ou padronizada no teatro,  resolvem escolher a fala carioca  como a língua-padrão do teatro, da declamação e do canto eruditos do Brasil, ainda que reconhecessem como características das  línguas “a pluralidade de maneiras de falar, as variações fonéticas”.[1]
      Conforme Leite & Callou, buscou-se nesses Congressos o estabelecimento de normas de âmbito generalista que, de um lado, representassem o ideal lingüístico da comunidade brasileira como um todo e de outro, não fizessem com que se corresse o risco de chegar a uma média que não correspondesse  a nenhuma das variedades faladas no Brasil, no passado ou no presente.” (LEITE & CALLOU, 2002:10-11)
      As questões que se colocam são:
      1) o falar carioca representa o ideal lingüístico da comunidade brasileira como um todo?
      2) pode-se tomar o falar carioca como a média  que corresponde às variedades faladas no Brasil?
      3) o caráter de pronúncia padrão do português do Rio de Janeiro existe de fato ?
      4) há argumentos lingüísticos e extralingüísticos que justifiquem a escolha de um  determinado  dialeto como padrão?
      Não se podem obter respostas para tais perguntas sem levar em conta os diferentes conceitos de norma lingüística: de um lado, a idéia de que norma e classe social se inter-relacionam; de outro, impõe-se a visão de que, lingüisticamente, não existe um falar melhor que o outro. Se faz necessário também buscarmos uma definição de língua padrão.

      NORMA E LÍNGUA PADRÃO

      Mattoso Câmara[2] define norma como o “conjunto de hábitos lingüísticos vigentes no lugar ou na classe social mais prestigiosa no País”. Note-se que o caráter social de prestígio é o que determina, conseqüentemente, o prestígio de determinado dialeto, transformando-o em modelo lingüístico de uma comunidade, ou seja, na língua padrão, que segundo Cunha e Cintra é, dentre as variedades de um idioma, a mais prestigiosa:
      A língua padrão, por exemplo, embora seja uma entre as muitas variedades de um idioma, é sempre a mais prestigiosa, porque atua como modelo, como norma, como ideal lingüístico de uma comunidade. Do valor normativo decorre a sua função coercitiva sobre outras variedades, com o que se torna uma ponderável força contrária à variação.  (CUNHA & CINTRA, 1985: 3)
      Assim, tomando por base o conceito de norma, postulado por Mattoso Câmara, as respostas às perguntas acima seriam positivas, já que, afinal de contas, no princípio, o Rio era a Corte e, por isso, um lugar com ares europeizados, portanto, de prestígio, conforme se observa no texto de Alencastro:
      A corte, as embaixadas estrangeiras, o comércio marítimo, as escalas contínuas de viajantes que cruzam o Atlântico Sul, a chegada de profissionais europeus, engendram no Rio de Janeiro um mercado de hábitos de consumo relativamente europeizados(…) Novidades nacionais e estrangeiras recebiam a aprovação da sociedade e da imprensa da corte__transformando-se em moda imperial__, e daí irradiavam para o resto do país. (ALENCASTRO,1977:37- 51)
      E é na Corte que a relação dominador/dominado se estabelece de maneira mais incisiva, já que as ordens vinham da elite portuguesa e não de qualquer dono de terra. Por isso, deduz-se que assimilar a fala dos donos do poder significava alcançar prestígio..
      Perseguindo dados que comprovem o prestígio do Rio de Janeiro, podemos argumentar, ainda, que, além de ter sido Corte, o Rio apresenta a menor taxa de analfabetismo entre as 12 maiores capitais do país. É aqui também que se constata um expressivo número de pessoas com nível superior. No tocante aos aspectos social e econômico, a Cidade Maravilhosa reúne bairros com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), destacando-se a Lagoa, cujo “IDH, de 0,902, é semelhante ao da Itália”.( O Globo, 24/03/2001).
      Se partirmos da definição de língua padrão postulada por Celso Cunha e Cintra, chegaremos também a respostas positivas. Entretanto, essa mesma definição nos leva a pressupor que o falar carioca não poderia ser tomado como modelo, uma vez que a “ponderável força contrária à variação” é minada pelo caráter extremamente heterogêneo do “ linguajar carioca”,  que, provavelmente,  já no final do século XIX, era marcado por quatro resultantes: a) um falar de prestígio; b) um falar de caráter mais popular; c) um falar rural e d) um falar oriundo da confluência entre os habitantes das regiões rurais e das regiões centrais. (CALLOU & AVELAR,2002:103)

      NORMA : o que é comum

      A heterogeneidade do falar Rio de Janeiro ilustra-se nas diferentes realizações do S implosivo, verificadas por MARQUES & CALLOU (1977) e da vibrante, investigada só por CALLOU (1985): vimos que há 6 variantes para cada variável. Temos de convir que existe muita variação para a escolha de uma pronúncia padrão. A propósito, pergunta-se: em relação ao S implosivo, qual seria a pronúncia ideal: a palatal, marca registrada do carioca (NASCENTES, 1953: 52), ou a alveolar, variante considerada padrão e mais freqüente em outras regiões? E o que dizer das linguodentais: prevalecerão as realizações do /d/ e /t/ diante de /i/, ou seja, as africadas, consideradas por Nascentes (1953) como características do nosso linguajar?
      A resposta está no artigo de Révah, em que o autor discute a evolução da pronúncia do português, tendo por base as determinações do Congresso de 1956:
      Trata-se de fatos muito generalizados, mesmo na linguagem das classes superiores da sociedade, mas também de fatos que a língua padrão, que o Congresso tem por missão definir, terá tendência a rejeitar, como prejudiciais à boa feição da língua:
      1)ditongação de vogais acentuadas antes do s final: rapáys de rapaz, déys de dez(…) Encontram-se também variantes onde a consoante final é uma chiantes.
      2)a palatalização (em graus diversos) das consoantes t, d, l, diante de i. (RÉVAH, 1958:9)
      A julgar por tais palavras, parece que a palatal e a africada, realizações comuns no português carioca, ficaram de fora da “boa feição da língua”, o que nos faz elaborar outra pergunta: que norma de pronúncia padrão é essa que exclui realizações fonéticas características da cidade do Rio de Janeiro?
      Com base nesses argumentos, às perguntas elaboradas inicialmente seriam atribuídas respostas negativas, já que os conceitos de norma e língua padrão apresentados não dão conta do caráter extremamente heterogêneo do falar carioca.  O conceito de norma que talvez resolva a questão vem de Coseriu (1980). Argumenta o autor que a norma da língua contém tudo o que é comum e constante, não existindo uma variedade de determinada língua superior a outra; é apenas igual ou diferente. Assim, diferentes normas podem variar no seio de uma comunidade idiomática sem estar atreladas a julgamentos de valor. (CUNHA, 1985)
      Deduz-se, pois, que, sob a ótica coseriana, não há justificativa para tomarmos a fala carioca como o ideal. MAS a suposta supremacia existe. Até professores de Língua Portuguesa, extremamente conservadores no que tange à norma culta, como  Pasquale Cipro Neto, a reconhece. Diz ele:  “ Acho que no cômputo geral, o carioca é o que se expressa melhor sob a ótica da norma culta.” (VEJA de 10.09.97). O que, provavelmente, o referido mestre não sabe é que a escolha de um dialeto como modelo lingüístico de uma comunidade é fenômeno próprio das línguas de cultura. Isso não significa que, lingüisticamente, o dialeto escolhido seja superior ou mais importante. Se a escolha recai sobre falares de uma classe ou lugar considerados prestigiosos é porque fatores  extralingüísticos influenciam a opção pelo uso de uma determinada  variedade.

      A INFLUÊNCIA DE FATORES SÓCIO-ECONÔMICOS E CULTURAIS

      Rosenblat (1967), referindo-se aos critérios de correção lingüística, mostra que a expansão de fenômenos lingüísticos faz parte da história milenar das línguas, embora anteriormente ocorresse de maneira menos intensa e vertiginosa.  Segundo o autor, uma cidade, sobretudo as capitais ou grandes centros regionais, ganha prestígio, transformando-se em foco de expansão lingüística graças a um jornal, a uma universidade ou a uma emissora de rádio e televisão. Para o autor, a padronização de um modelo impõe-se pela necessidade de a comunidade lingüística atingir, principalmente no ensino, uma norma abstrata e idealizada.
      Sem dúvida nenhuma, o Rio irradia cultura. Não nos esqueçamos de que não só as primeiras Universidades brasileiras surgiram na Sede do Império como aí se deu o início da imprensa, cujo discurso se pautava na linguagem mais apurada da Corte (ALENCASTRO, 1977), lugar preferido também pelos grandes escritores brasileiros: “ Todos os grandes escritores brasileiros moravam na corte” (MACHADO DE ASSIS, apud  ALENCASTRO, 1977: 35). Nos aspectos sócio-econômicos, alguns já mencionados anteriormente, o Rio constituiu-se no principal centro econômico, uma vez que a Baía de Guanabara se tornou a porta de entrada de diferentes produtos e de pessoas oriundas de outras regiões, intensificando-se aqui não só o intercâmbio lingüístico mas  o processo de mobilidade social.
      Estima-se que 15 mil portugueses aqui aportaram (CALLOU e AVELAR, 2002). Eram integrantes da classe dirigente. No início, concentraram-se nas freguesias da Candelária e de São José, espaço que hoje faz parte do Centro ( Rua dos Inválidos, Rua do Lavradio, Rua do Resende), Glória e Catete. Nas freguesias de Santa Rita e Santana, atuais Saúde, Santo Cristo e Gamboa, fixaram moradia pessoas de baixa renda, entre escravos de ganho e trabalhadores livres.  A cidade expande-se em conseqüência da intensificação das relações sócio-econômicas nessas freguesias. A classe mais abastada procura outras localidades em direção, principalmente, à orla marítima. Os indivíduos menos favorecidos buscam moradia nas Zonas Norte e Oeste.
      Até parece que os congressistas de 1937 e 1956 sustentaram seus argumentos com base nas declarações de Rosenblat Apesar de não se pautarem em critérios científicos rígidos, talvez porque a época não permitisse, os seguidores de Mário de Andrade intuíam que, subjacente à escolha de um dialeto padrão, pairam fatores de ordem sócio-econômica e cultural. Mas não se impõe um modelo lingüístico por decreto. O que se fez foi apenas confirmar uma realidade que é conseqüência do próprio desenvolvimento sócio-econômico e cultural do Rio de Janeiro, cujo falar, como qualquer outro, possui características lingüísticas próprias.
      Na verdade, o que existe é uma tentativa de padronizar a pronúncia brasileira, eliminando-se qualquer vestígio de regionalismo. Se escolheram o português carioca como modelo é mais por questões sócio-históricas que lingüísticas. Subjazem à escolha resquícios de uma sociedade carioca moldada pela relação senhor/escravo, em que o poder estava em jogo. Quando o poder entra em jogo, vence o modelo lingüístico do dominador. Provavelmente, se outra cidade do Brasil tivesse passado pelas circunstâncias que o Rio passou, não seria o português carioca o escolhido, mas a fala dessa hipotética região.

      CONCLUSÃO

      Por mais que tentemos argumentar contra a idéia de que o falar carioca não deva ser considerado o modelo lingüístico brasileiro, uma vez que, lingüisticamente, não há um dialeto superior, não se pode negar a importância dos fatores extralingüísticos para os fenômenos da linguagem, os quais justificam a escolha.  E um dos conceitos que a explica é o de NORMA, não na visão coseriana, mas na que sustenta a suposição de que, em uma língua, há sempre uma variedade de prestígio falada por uma elite, também de prestígio.
      O suposto modelo de fala da cidade do Rio de Janeiro não reflete a realidade lingüística de seus habitantes. Trata-se de uma abstração. O que ocorre é a neutralização dos regionalismos, resultando em uma busca de um padrão idealizado, SUPÕE-SE, de base carioca.

      REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

      ALENCASTRO,  L.F. (org) (1977). História da vida privada no Brasil. V. 2 São Paulo, Companhia das Letras.
      CALLOU, D. & MARQUES, M . H (1975). O –S implosivo na linguagem do Rio de Janeiro. In:Littera: revista para professor de português e de literaturas de língua portuguesa VOL. V: Rio de Janeiro, Grifo 9-137.
      CALLOU, D. (1987) Variação e distribuição da vibrante na fala urbana culta do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, PROED – Universidade Federal do Rio de Janeiro.
      CALLOU, D. (2002). Da história social à história lingüística: o Rio de Janeiro no século XIX. In: ALKMIM, Tânia Maria (org.) Para a história do português brasileiro. VOL. III: Novos estudos Humanitas/FFLCH/USP 281-292.
      CALLOU, D & AVELAR, J. (2002). Subsídios para uma história do falar    carioca: mobilidade social no Rio de Janeiro do século XIX. In: Para a história do português brasileiro. VOL. IV. Notícias de corpora e outros estudos. Rio de janeiro, UFRJ/LETRAS, FAPERJ: 95-112.
      CAMARA, Mattoso. Dicionário de filologia e gramática. Rio de Janeiro, Jozon Editor.
      COSERIU, Eugenio. (1980). Lições de lingüística geral. Rio de Janeiro, Ao Livro Técnico.
      CUNHA, Celso & CINTRA, L. (1985). Nova Gramática do português contemporâneo. Rio de Janeiro, Nova Fronteira.
      LEITE, Y & CALLOU, D. (2002). Como falam os brasileiros. Rio de Janeiro, Zahar Editor.
      RÉVAH, I.S. (1958). A evolução da pronúncia em Portugal e no Brasil do século XVI aos nossos dias. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE LÍNGUA FALADA NO TEATRO, 1o Salvador, 1956. Anais. Rio de Janeiro, MEC.
      RODRIGUES, J. H. (1986). História viva: São Paulo, Global Universitária.
      ROSENBLAT, Angel. (1967). El critério de correccion lingüística. Unidad o pluralidad de normas em el espanol de Espana y América. In: EL SIMPOSIO DE BLOOMINGTON, Bogota, Instituto Caro y Cuervo.

      [1] In: Anais do Primeiro Congresso Brasileiro de Língua Falada no Teatro (1958:129)
      [2] Dicionário de Filologia e Gramática (s/data), p.281.

      sábado, 13 de abril de 2013

      SALVE ACADÊMICOS DE PEDAGOGIA

      PONTO DE ENCONTRO DO GRUPO DE ACADÊMICOS DE PEDAGOGIA: "Grupo Acadêmicos Pedagogo"  ONDE A TROCA,  APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS, TEXTOS E PESQUISAS SERÃO APRESENTADOS NESTE BLOG